IM15B1, Mais que um transformador, um ‘tradutor’ de alta precisão

IM15B1

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Você já parou para pensar que uma ficha técnica, com sua lista de números e siglas, pode contar uma história? Por trás de cada especificação, existe um desafio de engenharia, uma decisão de design e um propósito muito claro. É um roteiro que revela como um equipamento foi construído para funcionar e, mais importante, para falhar de forma segura.

Hoje, vamos mergulhar na ficha técnica de um transformador de corrente de 15kV, o modelo IM15B1. À primeira vista, parece apenas uma lista de dados para engenheiros. Mas, ao olharmos mais de perto, descobrimos detalhes fascinantes que revelam o quão robusto, preciso e seguro este componente essencial da rede elétrica realmente é.

A função principal deste equipamento é descrita em suas correntes primária e secundária. Ele é projetado para receber uma corrente primária altíssima, que pode variar de 5 a 600 Amperes, e “traduzi-la” para um nível muito menor e mais seguro: 1 ou 5 Amperes. Toda essa tradução acontece na frequência padrão da rede brasileira, 60 Hz.

Pense nisso: sem essa redução drástica, seria impossível e extremamente perigoso medir ou monitorar a energia que flui em sistemas de média tensão. Este transformador atua como um intérprete, convertendo uma força gigantesca em uma informação legível e segura para os instrumentos de medição e proteção, garantindo que tudo na rede funcione como deveria.

Uma fortaleza contra surtos elétricos

A robustez deste equipamento é revelada em seus dados de isolamento e corrente. O Nível de Isolamento (NI) de 34 / 95 / - kV revela uma dupla proteção. O 95 kV é a capacidade de suportar picos de tensão de impulso, como os de um raio, enquanto o 34 kV é a tensão que ele suporta continuamente por um minuto em frequência industrial (60 Hz). Essa combinação garante resiliência tanto contra eventos súbitos e violentos quanto contra condições de sobretensão mais prolongadas.

Já a Corrente Dinâmica (Id), especificada como 2,5 vezes a Corrente Térmica (It), revela sua força mecânica. Este número especifica a corrente máxima que o transformador pode suportar por um instante. Correntes dessa magnitude geram campos magnéticos imensos, que por sua vez criam forças mecânicas brutais capazes de destruir o equipamento. Além disso, seu Fator Térmico de 1.2 ou 1.5 indica que ele pode operar continuamente com 20% ou 50% a mais de sua corrente nominal sem superaquecer, oferecendo uma margem de segurança crucial para a operação da rede.

A obsessão pela exatidão tem um motivo

A Classe de Exatidão de 0,3 C 12,5 é um código denso de informações. O 0,3 nos diz que o erro de medição na “tradução” da corrente é de no máximo 0,3% — um nível de precisão altíssimo.

Mas o C 12,5 é igualmente importante: ele especifica que essa precisão é mantida enquanto o transformador alimenta uma carga (instrumentos de medição) de até 12,5 VA. Em outras palavras, ele não é apenas preciso; ele é preciso sob uma carga de trabalho específica, garantindo que a medição não se degrade quando conectado ao sistema. Essa exatidão é fundamental para a medição de energia para faturamento, onde pequenos erros acumulados podem representar grandes perdas financeiras.

O que ele não faz também é importante: o silêncio das descargas parciais

Um dos dados mais sutis e reveladores é o de Descargas Parciais, que deve ser menor que 50 pC (picocoulombs). Descargas parciais são microfaíscas que podem ocorrer dentro do isolamento de um equipamento de alta tensão. Com o tempo, elas degradam o material isolante e podem levar a uma falha catastrófica.

Um valor abaixo de 50 pC é extremamente baixo, indicando que o isolamento interno é de altíssima qualidade e praticamente “silencioso” do ponto de vista elétrico. Isso não apenas garante a segurança, mas também é um forte indicador da longevidade do transformador, pois previne a degradação interna que é a causa de muitas falhas em equipamentos de média tensão.

5,5 quilos de conformidade com padrões rigorosos

Com um Peso de 5,5 Kg, este não é um componente leve. Esses 5,5 Kg não são um peso morto; são a massa física necessária para abrigar o cobre e o isolamento de alta qualidade capazes de suportar 95.000 volts (NI) e as forças magnéticas brutais de um curto-circuito (Id).

Mais importante ainda é que toda essa engenharia segue um padrão rigoroso, especificado pelas normas brasileiras ABNT NBR6856 e NBR10021. Seguir essas normas é a garantia de que o produto é seguro, confiável e compatível com o resto da infraestrutura elétrica do país, funcionando como um selo de qualidade que assegura que cada detalhe foi projetado e testado para funcionar perfeitamente.

No final, uma simples ficha técnica nos mostra muito mais do que números. Ela revela uma história de design cuidadoso, onde cada especificação é uma resposta a um desafio de segurança, precisão e durabilidade. Cada detalhe foi pensado para garantir que a energia chegue até nós de forma confiável e segura. É um lembrete de que, no mundo da engenharia, não existem números chatos — apenas histórias esperando para serem lidas.

Veja a página Multi Inst com as especificações técnicas completas do IM15B1 – Transformador de Corrente

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